Toyota Supra Mk4 de Velozes e Furiosos: tudo sobre o carro do Brian
A história completa do Toyota Supra Mk4 de Velozes e Furiosos: motor 2JZ-GTE, ficha técnica, o Supra laranja de Brian O'Conner e o impacto no tuning brasileiro.
Em 2001, um Toyota Supra cor de laranja cruzou uma linha de chegada imaginária na tela de cinema e nunca mais saiu do imaginário automotivo brasileiro. O carro não era novo. O motor tinha oito anos. A pintura havia sido misturada numa oficina na Califórnia. Nada disso importou.
O nascimento do A80: Japão na era da bolha econômica

O projeto do Supra Mk4 começou em fevereiro de 1989, durante a chamada “era da bolha econômica” japonesa — um período em que as montadoras japonesas investiam de forma intensa em pesquisa e desenvolvimento. Sob a direção do engenheiro-chefe Isao Tsuzuki, a Toyota passou quatro anos testando o A80 antes de apresentá-lo ao mundo no Salão de Chicago, em 1993.
Os concorrentes usados como referência nos testes foram o Nissan 300ZX, o Mazda RX-7 FD, o Honda NSX, o Porsche 911 Turbo 964 e o Aston Martin DB7. A Toyota não estava construindo um carro barato. Estava construindo um argumento.
Internamente chamado de A80, o projeto surgiu ao lado do Lexus SC300/SC400 — fato que explica muito da refinação da cabine e da qualidade de construção que diferencia o Supra de seus rivais da época. A Toyota incorporou materiais mais leves — plásticos, alumínio, magnésio — na carroceria, reduzindo o peso em cerca de 90 kg em relação ao antecessor, enquanto o projeto alcançou distribuição de peso próxima a 50/50.
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Quem não participa, não ganha!ParticiparO motor que recusou envelhecer: o 2JZ-GTE

O Supra Mk4 foi oferecido com dois motores da família JZ, ambos com seis cilindros em linha, 3.0 litros (2.997 cc), DOHC, 24 válvulas e bloco em ferro fundido com cabeçote em alumínio. O bloco usava arquitetura closed-deck — estrutura fechada para suportar altas pressões nos cilindros — e virabrequins em aço forjado.
A versão turbinada, o 2JZ-GTE, usava um sistema biturbo sequencial com intercooler lateral. O funcionamento sequencial direcionava os gases do escapamento para a primeira turbina já a partir de 1.800 rpm, eliminando o atraso típico de sistemas turbo convencionais. Acima de 3.500 rpm, o sistema eletrônico liberava progressivamente o fluxo para a segunda turbina. A Toyota afirmava que 90% do torque estava disponível entre 1.300 rpm e 4.500 rpm.
Para o mercado japonês, a potência declarada era 280 cv — o limite informal do chamado “gentlemen’s agreement” das montadoras japonesas da época, embora testes independentes em dinamômetros consistentemente registrassem valores mais altos. O mercado americano recebeu a versão de 320 cv. Na prática, o número no catálogo era o menos interessante de toda a especificação.
O motor 2JZ-GTE é um dos poucos propulsores de série com margem real para multiplicar a potência sem reconstrução interna. O sistema de freios estabeleceu um recorde de parada — 45 metros de 110 km/h a zero — que só foi superado quase uma década depois pelo Porsche Carrera GT. Isso, em 1993, era declaração de intenções.
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Ver todos →O Brasil e um carro que quase não chegou

Por ter sido importado oficialmente apenas entre 1993 e 1996, poucas unidades foram vendidas no país. Atualmente, é desafiador encontrar um exemplar à venda. No Brasil, o modelo foi importado em pequenas quantidades durante os anos 1990. As pesadas taxas tributárias da época fizeram os preços subirem muito, tornando o Supra uma raridade entre colecionadores nacionais.
O Brasil dos anos 90 era um país de Gol Turbo e Vectra GSi. Importar um Supra era, na prática, impossível para a maioria. A percepção de exclusividade e a busca por algo diferente do convencional fizeram com que o Supra Mk4 se tornasse um objeto de desejo, muitas vezes adquirido através de importadoras independentes, o que aumentava ainda mais seu status de raridade e prestígio.
A durabilidade e o potencial de preparação rapidamente se tornaram os maiores atrativos para os tuners e entusiastas brasileiros, que viam no 2JZ a base perfeita para extrair potências que ultrapassavam facilmente 500, 600 e até 1.000 cavalos. No Brasil da época, quem tinha um Supra não apenas tinha um carro. Tinha um laboratório. Para conhecer outros JDMs que moldaram essa mesma geração, veja nosso artigo sobre os JDM mais famosos do mundo.
O Toyota Supra Mk4 Velozes e Furiosos: como um carro virou cultura

Antes de junho de 2001, o Supra Mk4 era um objeto de desejo para um grupo específico: entusiastas de JDM, leitores de Quatro Rodas, frequentadores de encontros de carros aos domingos. Após o lançamento do filme, os preços do Supra Mk4 dispararam nos EUA e a demanda por exemplares explodiu globalmente.
O carro do filme tinha uma história fora das telas. Entre 1998 e 1999, o novo dono Craig Lieberman realizou todas as modificações vistas no filme: a pintura laranja perolada, exatamente a mesma usada no Lamborghini Diablo, o body kit Bomex com asa traseira APR, as rodas de 19 polegadas da Dazz e os pneus Yokohama, além de preparar o seis-em-linha com um turbocompressor Turbonetics T-66, intercooler e novo coletor de admissão. Era o bastante para entregar 600 cv, chegando a 700 cv com a injeção de óxido nitroso.
Após o fim das gravações do segundo filme, o veículo retornou à cor laranja original do primeiro filme, com decalques de vinil — oficialmente chamados pela Toyota de “gráficos Nuclear Gladiator”. O anúncio do leilão Barrett-Jackson garantia que o veículo estava “idêntico ao visto na franquia”, incluindo spoiler dianteiro Bomex, saias laterais, capô estilo TRD, rodas Dazz Motorsport Racing e a grande asa traseira APR.

O martelo foi batido no leilão Barrett-Jackson, em Las Vegas, pelo icônico Toyota Supra laranja, dirigido pelo personagem Brian O’Conner (Paul Walker) nos dois primeiros filmes. O veículo foi vendido por US$ 550 mil. Era 2021. O carro tinha 27 anos. E valia mais do que qualquer Supra saído de fábrica.
Quem cresceu jogando Need for Speed: Underground, Gran Turismo, Forza Horizon ou Midnight Club dificilmente deixou de pilotar um Supra Mk4 virtualmente. Ele se tornou presença obrigatória em praticamente todos os jogos de corrida relevantes dos anos 2000 em diante. No Brasil, isso significou que gerações inteiras conheceram o carro na tela antes de vê-lo em qualquer rua. A relação era a mesma que a da geração anterior com o Maverick: um desejo que circulava no imaginário antes de pisar no asfalto. Para entender como outros clássicos americanos construíram esse mesmo tipo de mito no Brasil, vale ler nossa matéria sobre a promoção Retornar com dois Mustang GT.
Um motor que ainda não tem teto
Para o mercado americano saíram da fábrica apenas cerca de 11.239 unidades turbo ao longo dos seis anos de exportação (1993–1998). Poucos carros de produção conseguem esse cruzamento: raridade de fábrica, motor com potencial quase ilimitado e presença cultural permanente.
O bloco de ferro fundido do 2JZ-GTE é amplamente considerado capaz de sustentar 600 a 650 cv nas rodas com conversão para turbo único e modificações de suporte de combustível e refrigeração. Além disso, supras bem preparados registram tempos no quarto de milha no baixo grupo dos 8 e 9 segundos em pneus slick, e carros totalmente preparados já quebraram a barreira dos 6 segundos.
No Brasil, o Supra com 2JZ preparado nunca foi comum. Mas quem tinha, sabia. Oficinas especializadas em JDM no ABC paulista e em Curitiba desenvolveram conhecimento próprio para trabalhar com o bloco japonês, criando uma rede informal de expertise que existe até hoje. Manutenção de um Supra bem feita no Brasil custa caro — mas quem passou pelo processo sabe que o motor resiste à altura do investimento. Para contextualizar outros clássicos que também construíram lendas nas estradas brasileiras, veja nossa matéria sobre a história do Ford Maverick V8.
Dois Mustangs, um sorteio: a Retornar coloca adrenalina em dose dupla
A Retornar anunciou a campanha Adrenalina em Dose Dupla I, e o prêmio explica o nome: não um, mas dois Mustangs — o clássico V8 de 1970 e o GT de 1995. Dois marcos da história do pônei, separados por 25 anos, reunidos no mesmo sorteio.

O 1970 carrega a brutalidade da era muscle car no auge. Linhas agressivas, motor V8 que faz o asfalto tremer antes mesmo de soltar a embreagem. O 1995, por sua vez, representa o Mustang em transição — visual alongado, motor GT que marcou toda uma geração que cresceu nos anos 90.

São máquinas com personalidades distintas. Uma é puro músculo americano da era dourada. A outra é a versão que crianças dos anos 90 recortavam de revista para colar na parede. Juntas, cobrem décadas de história do automóvel americano.

Como participar
As informações completas sobre a campanha estão no site oficial do Mustang GT 1995 e Mustang V8 1970 na Retornar. O sorteio acontece em 23 de dezembro de 2026, com apuração pela Loteria Federal. A revelação do número vencedor será transmitida ao vivo pelo canal da Retornar no YouTube.
Se você está lendo após 23 de dezembro de 2026, confira o resultado na página de ganhadores.
FAQ
O Toyota Supra Mk4 foi vendido oficialmente no Brasil?
O Supra Mk4 foi importado oficialmente apenas entre 1993 e 1996, em poucas unidades. As taxas de importação da época tornavam o preço proibitivo para a maioria.
Qual era a potência real do motor 2JZ-GTE?
O 2JZ-GTE entregava 280 cv na versão JDM, 326 cv na versão americana e 330 cv na europeia. Testes independentes em dinamômetros de motores em especificação de fábrica tipicamente registravam entre 320 e 335 cv no virabrequim.
Qual era o Supra usado no primeiro Velozes e Furiosos?
O lendário Toyota Supra 1994 customizado na cor laranja, com decalques em preto e verde, pertenceu ao personagem Brian O’Conner no primeiro filme da franquia. O veículo foi vendido em leilão por US$ 550 mil.
Por quanto o Supra laranja do filme foi vendido?
No leilão Barrett-Jackson, em Las Vegas, o Toyota Supra laranja, dirigido por Brian O’Conner (Paul Walker), foi vendido por US$ 550 mil. De acordo com os organizadores do evento, foi o Supra mais caro já vendido na história.
Vale a pena comprar um Supra Mk4 no Brasil hoje?
Quando surge um exemplar à venda, o preço pode variar entre R$ 200 mil e R$ 400 mil, dependendo do estado de conservação, da quilometragem e da versão. A manutenção bem feita no Brasil custa caro. E comprar um exemplar mal preservado pode transformar o sonho em pesadelo financeiro.
Resultado do Sorteio Mustang GT 1995 e Mustang V8 1970
O sorteio da promoção Retornar: Adrenalina em Dose Dupla I que tem como prêmio um Mustang GT 1995 e Mustang V8 1970 será realizado em 23 de dezembro de 2026. Volte aqui para conferir o resultado!
Ganhador do Sorteio Mustang GT 1995 e Mustang V8 1970
Após a apuração do sorteio da promoção Retornar: Adrenalina em Dose Dupla I, o ganhador do Mustang GT 1995 e Mustang V8 1970 será revelado aqui.